Arquivo da categoria: Artigos

TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER

Queridos amigos,

Como vocês sabem, sou o curador da obra do poeta Rodrigo de Souza Leão, que faleceu em 2009 numa clínica psiquiátrica no Rio de Janeiro. A cada mergulho em seu universo – seja nos livros, na peça que estou em cartaz, nos vídeos e em tantas outras coisas que ele deixou – reafirmo a minha vontade de tornar a sua criação mais conhecida.

Foi com grande surpresa que me dei conta de que em poucos meses de EAV ( Escola de Artes Visuais do Parque Lage), Rodrigo produziu mais de 40 telas, algumas chegando a medir 3 metros, numa impressionante imersão em seu universo de inúmeras vozes e imagens.

A curadoria do MAM –RJ se interessou em expor telas e poemas do Rodrigo, e agendou a mostra TUDO VAI FICAR DA COR QUE VOCÊ QUISER entre 09 de novembro 2011 e 15 de janeiro 2012.

Entretanto, como não consegui patrocínio para o projeto, estou recorrendo ao financiamento colaborativo na web para tentar realizar a produção, que ainda necessita de R$ 30 mil. Existem várias cotas de apoio, a partir de R$ 15, com recompensas para quem colaborar.

Por favor, assistam ao vídeo do projeto no site Catarse e vejam se podem colaborar e/ou divulgar.

Muito obrigado.

Grande abraço, Ramon.

“Tomara que exista eternidade. Nos meus livros. Na minha música. Nas minhas telas. Tomara que exista outra vida. Esta foi pequena para mim.”

Rodrigo de Souza Leão

Anúncios

POR ONDE ANDARÁ ANNA FRANÇA?

Por Ramon Mello

 

Não sei precisar o ano exato, mas creio que foi em 2003. O episódio aconteceu no extinto Habib’s da Nossa Senhora de Copacabana com a Figueiredo de Magalhães, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Entrei na lanchonete, acompanhado de amigos, e pedi algumas esfirras – provavelmente, frango ou queijo. Enquanto aguardávamos a comida, alguém iniciou um ‘guerrinha de papel’. Pra quê? Acertei a cabeça de uma mulher que estava comendo as gordurosas esfirras, sozinha. Silêncio. Levantei para pedir desculpas e a mulher sorriu e, gentilmente, me convidou para sentar ao seu lado.

Iniciamos a conversa e ela se apresentou: Anna França. Em menos de cinco minutos, deixei os amigos e as esfirras de lado, fiquei fascinado com história dessa mulher. Anna de Lourdes França nasceu no Maranhão e foi para o Rio de Janeiro aos 16 anos de idade. Ela foi para a Província Franciscana, em Santa Tereza, onde ficou até seus 32 anos. Após ter um caso com irmã Heloar, sua Madre Superiora da Casa Belo Horizonte – que permanece com seus votos até hoje –, Anna escreveu a autobiografia Outros hábitos (Garamond), livro que encontrei alguns anos depois num sebo em Copacabana.

E agora Anna França volta a rondar minha vida. Há três dias, terminei de ler o livro O que cabe em duas malas (Editora Guarda-Chuva), relato da alemã Veronika Peters, jovem protestante, que se converte ao catolicismo e resolve largar a vida burguesa para embarcar num mosteiro beneditino. Não, Veronika não se apaixona por uma freira. Mas ela enfrenta dificuldades em largar os velhos hábitos para viver uma vida de clausura. Até que ela se apaixona por um homem e…

Ao ler o livro, lembrei imediatamente de Anna França. Por quê? Tanto Veronika quanto Anna decidiram pela vocação religiosa, abdicando dos prazeres mundanos. Mas a vida surpreendeu as duas com paixões avassaladoras, talvez, tão intensas quanto o amor de Sóror Mariana Alcoforado – a freira portuguesa que se apaixonou por um militar francês e escreveu doloridas cartas de amor, que resultaram livro Cartas Portuguesas (Assírio & Alvim):

“Bem sei que te amo perdidamente; no entanto, não lamento a violência dos impulsos do meu coração; habituei-me à sua tirania, e já não poderia viver sem este prazer que vou descobrindo: amar-te entre tanta mágoa. O que me desgosta e atormenta é o ódio e a aversão que ganhei a tudo”.

Sóror Mariana continuou no convento, fazendo ásperas penitências durante a vida, sem nunca chegar à abadessa, até a morte, em 1723, aos 83 anos de idade. Veronika Peters ainda vive na Alemanha e curte o sucesso editorial do livro. E Anna?

Por onde andará Anna França?

Fiquei surpreso com a notícia: Depois de ter se apresentado em diversos programas TV para lançar o seu livro, Anna França foi presa, em Pendotiba, Niterói, no dia 11 de abril de 2007. Acusada de estelionato, furto, roubo e falsidade ideológica, ela não reagiu à prisão, mas negou todas as acusações. A ex-freira franciscana foi indiciada por estelionato e pode pegar de um a cinco anos de cadeia por cada golpe cometido. Que pena!

LEMBRANÇAS DO MUNDO AZUL

Por Ramon Mello [Prosa & Verso – O Globo – 2009]

 

Rodrigo de Souza Leão / Foto de Tomás RangelO mundo ficou mais triste com a morte do escritor e poeta Rodrigo Souza Leão. Soube da notícia durante a última edição da Festa Literária Internacional de Paraty, através da homenagem realizada pelo poeta Carlito Azevedo no painel “Evocação de um poeta”. Fiquei chocado. Rodrigo foi uma das maiores surpresas que tive na vida, seu delírio e lucidez me fascinavam – poesia pura, a mesma matéria-prima dos textos de Stela do Patrocínio, Maura Lopes Cançado, Lima BarretoSamuel Beckett e Antonin Artaud.

Em 2008 recebi um exemplar do romance Todos os cachorros são azuis (7Letras) para realizar uma entrevista com o autor para o site Portal Literal. Peguei o pequeno livro, fui para um café e mergulhei no universo lírico, irônico e melancólico de Rodrigo Souza Leão: a trajetória (autobiográfica) de um homem internado no hospício.

No mesmo dia liguei para Rodrigo e combinei um encontro. Ele só fez uma ressalva: “A entrevista tem de ser aqui em casa.” Topei. Em seguida, justificou: “Sou esquizofrênico e faz alguns anos que não saio de casa.” Fiquei receoso, talvez por medo de que o encontro com um esquizofrênico me revelasse que, afinal, não éramos assim tão diferentes. Mas não desisti, fui até Rodrigo. A entrevista aconteceu numa quinta-feira, no Rio de Janeiro.

Paixão por Rimbaud e horror ao hospício

Quando cheguei ao apartamento, a porta da sala estava aberta, e o autor me esperava sentado num sofá florido, acariciando um cachorro. Foi ele quem fez a primeira pergunta: “Gostou do livro?” Depois levantou, apertou minha mão e disse: “Não repara, minhas mãos estão tremendo por causa dos remédios. É uma merda: engorda, enfraquece os dentes e deixa mão amarelada. Só não deixa brocha. Mas eu fico calminho”, disse com um riso irônico.

Começamos a falar sobre o título do seu livro: “Na minha primeira infância eu tive um cachorro de pelúcia azul. Depois esse cachorro sumiu e nunca mais eu vi. É forte lembrança desse tempo. (…) Mas nenhum cachorro é azul, é bom deixar claro. Só os cachorros de pelúcia são azuis.”

Por duas horas, Rodrigo falou sobre a paixão pela poesia de Rimbaud, o sofrimento em lidar com a esquizofrenia, a admiração por Nise da Silveira e o horror ao tratamento concedido aos loucos no hospício: “São lugares tão bonitos que lembram cemitérios.” Seu irmão, Bruno, acompanhou o encontro e tornou a conversa mais engraçada ao revelar curiosidades sobre o poeta, como o hábito de assistir o programa da Igreja Universal do Reino de Deus, embora gostasse de ler Nietzsche e não tivesse muita crença: “Nem sei se Deus existe. Eu sou meio revoltado com Deus. Por que eu fui nascer esquizofrênico?”

Próximo do final da entrevista, perguntei o que era mais importante em sua vida, e Rodrigo respondeu: “O mais importante, no momento, é eu não saber o que é a coisa mais importante na minha vida. É saber colocar importâncias variadas. É importante que eu continue estável e consiga viver o máximo de tempo possível”

E, por fim: “Você quer viver muito?”

“Não. Eu espero viver pouco. Se eu conseguir viver até 50 anos ficarei contente. Porque viver muito é para quem não tem problemas. Quando a pessoa tem muito problema é até melhor morrer cedo porque se livra um pouco dos traumas e angústias. Sou uma pessoa muito traumatizada. Mas feliz! Eu sou feliz. Posso dizer que sou muito feliz, mais feliz que a grande maioria das pessoas. Eu sou feliz. Eu não estou realizado porque ainda estou no meu primeiro livro. Estou na batalha para publicar um livro há muito tempo, desde os 27 anos.”

Depois desse encontro, Rodrigo passou a me ligar todas as quintas-feiras por volta das 15 horas. Com o decorrer da amizade, criei coragem e pedi autorização para adaptar Todos os cachorros são azuis para o teatro. Para minha surpresa, Rodrigo me enviou a autorização por escrito, junto com um CD da sua banda Krâneo e seus neurônios – uma produção experimental em parceria com Gizza Negri. Depois de inúmeras consultas por telefone e trocas de e-mails, finalizei a adaptação. Mas, infelizmente, não tive tempo de lhe mostrar o trabalho. Resta, agora, homenageá-lo no palco.

Sua obra merece ser republicada e reavaliada

Rodrigo Souza Leão não precisa de sentimentos de piedade, o que está muito claro na carta de despedida deixada por ele: “Nunca tenham pena de mim. Nunca deixem que tenham pena de mim. Lutei. Luto sempre.” Não tenham pena de Rodrigo, apenas cuidem de sua obra. “Os loucos têm seu céu particular”, ele afirmou.

Mas, afinal, o que é a morte?

“Eu torço para que exista algo além. Gostaria de ver o que as pessoas acham de mim quando eu estivesse morto. Sabe? Para saber se meu melhor amigo iria chorar, se alguma namorada ia lembrar de mim, se meu livro ia vender depois de morto… Porque depois que morre todo escritor vende”, profetizou Rodrigo.

Não tenho dúvidas de que o mundo azul de Rodrigo Souza Leão nos oferece um caminho infinito. Os poemas do blog Lowcura devem ser reunidos. Carbono PautadoHá flores na pele e Todos os cachorros são azuis  merecem edições novas, acompanhadas de textos críticos. E Tripolar tem de sair da gaveta logo. Sua produção literária merece ser republicada, relida e reavaliada.

Ficamos com a lembrança do seu mundo azul. Paz, meu amigo.

BALUARTE DA ELEGÂNCIA

Brasil perde o sambista Walter Alfaiate. Veja abaixo trecho do documentário feito em sua homenagem

Por Ramon Mello [Portal Cultura.rj 2010]

O samba carioca perdeu um de seus representantes mais elegantes: o compositor e cantor Walter Alfaite faleceu no último sábado, dia 27 de fevereiro. Integrante da ala de compositores da Portela desde 1982, Walter deixou mais de 200 canções, dezenas delas inéditas.

Batizado Walter Nunes de Abreu, iniciou as atividades de alfaiate por volta do 13 anos. O apelido famoso é em decorrência da profissão que tirava seu sustento. Walter gravou apenas três álbuns: Olha aí (1998), Samba na medida (2003) e Tributo a Mauro Duarte (2005).

Walter Alfaiate foi grande intérprete do bairro de Botafogo, onde nasceu e viveu. O sambista de 79 anos foi enterrado em Botafogo, sobre o caixão foi colocado uma bandeira da Portela. Escrevendo e cantando ele nunca abandonou a profissão de alfaiate.

Baluarte da elegância, o sambista foi homenageado no documentário Walter alfaiate – elegância do samba. Com duração de 60 minutos, o filme dirigido por cinco cineastas – Vital Filho Emiliano Leal, Paulo Roscio, Rommel Prata e Vitor Fraga – passeia por Botafogo e, a partir daí, desenha o perfil do sambista.

A costura do longa é feita com depoimentos de artistas e amigos, entre eles Sérgio Cabral, Regina Casé, Paulinho da Viola, Beth Carvalho, Cristina Buarque de Hollanda, Zeca Pagodinho, Nei Lopes e Aldir Blanc.

MOVIMENTO INVERSO

Por Ramon Mello [Blog Click(IN)Versos – 2007]

“Tem que acontecer alguma coisa, meu bem.

Parado é que não dá para ficar!”

Raul Seixas

Movimento inVersoTendo os versos da música “Só Pra Variar” do Raul Seixas como lema é que poetas, músicos, atores e artistas-plásticos têm se reunido num conhecido apartamento na Rua Vinícius de Moraes, em Ipanema, para um encontro “boêmio-poético-musical”: o Movimento inVerso

O sarau, que comemora 1 ano de encontros quinzenais ininterruptos, surgiu da ideia de três amigos apaixonados pela arte: o músico/pintor carioca Gustavo Saba, a produtora/poeta Clauky Saba (inglesa, radicada no Rio!) e o poeta (e matemático – analista de sistema!!) Alexis Sauer – os SabaSauers.

O grupo surgiu em 2000 apresentando o musical A Chama do Blues Tocou Fogo no Rock e desde então não se separaram mais. Ao convite da artista-plástica Tetê para realizar um evento de poesia no seu Barteliê – o casa-bar-ateliê em Ipanema – juntaram a vontade de mostrar as poesias e de produzir algo diferente, sonoro e cênico. Fundaram o inVerso, mais do que um evento de poesia, um Movimento, que tem agitado o meio artístico do Rio de Janeiro. Um verdadeiro canal de comunicação e divulgação da arte e da cultura, onde famosos e principalmente desconhecidos compartilham o mesmo palco e esquentam as vogais com música e poesia. Entre os VIPs – leia-se Voz Interior dos Poetas – que passaram pelo inVerso, estão:

Mano Melo, Geraldinho Carneiro (com a Balada de um impostor), Salgado Maranhão, Nilton Alves, Jorge Ventura, João Pedro Roriz, Cairo Trindade e sua Oficina Literária, Sylvio Back (cineasta e poeta erótico), Bruno Cattoni, Claufe Rodrigues, Mônica Montone, Sônia Segadas, Sergio Gerônimo, Leandro Jardim, Igor Cotrim, João Pedro Roriz, Alex Topini, Arthur Gomes, Gean Queiroz, Bayard, Eduardo Tornaghi, Tanussi Cardoso, Adriana Monteiro de Barros…

O intercâmbio rola solto! Vários eventos de poesia também já passaram por lá, soltando poesia; entre eles: Filé de Peixe (Tijuca), Jasmin Manga com Poesia (Santa Teresa), Poesia nos Arcos (Lapa), Ratos Di Versos (Beco do Rato, Lapa), Versos da Meia-Noite (Copacabana), Poesia Voa e Palavril em Versos de Mola (Circo Voador, Lapa)…

Enfim, o espaço é democrático e o palco é aberto para todos!

PROGRAMEM-SE:

Nesta sexta-feira, dia 02, os SabaSauers convidam a todos para mais uma edição do Movimento inVerso, com a participação especial dos poetas Elaine Pauvolid, Pedro Tostes e Pedro Lage.

Como fala Clauky Saba na abertura do Movimento:

“Atenção senhoras e senhores passageiros: soltem os cintos, desatem os nós, subam a bordo da palavra… e boa viagem !!!”

ENDEREÇO:

Barteliê

R. Vinicius de Moraes, 190 – apto 03 – Ipanema – Rio de Janeiro

(esquina com a Rua Nascimento Silva)

A partir das 20h – Entrada R$5,00.

Conheça um pouco mais do Movimento inVerso e dos seus integrantes e convidados:

Movimento inVerso – espaço com a programação e fotos dos encontros.

Clauky Saba – poeta, atriz e produtora

Gustavo Saba – músico e pintor colorista

Elaine Pauvolid – poeta e editora

Pedro Tostes – coordenador do projeto identidade e ícone da poesia maloqueirista

Pedro Lage – livro mais recente: Cal do Cosmos

“um dos sobreviventes do grupo de poetas dos anos 70..” Chacal

“O sentido do Universo / num centímetro de flor, (…)” P.Lage

LITERATURA NA ERA DO ORKUT

Por Ramon Mello [Blog Click(IN)Versos – 2007]

Como é a sua relação com a Internet e a Literatura?

O número crescente de blogs, sites e comunidades no Orkut é um exemplo da vitalidade da produção literária. Tudo bem que isso não faz de ninguém um escritor, mas ao menos incentiva a relação com as palavras.

O fato é que a Internet serve para reunir pessoas interessadas em literatura e para escoar o excesso do que é produzido. Muitos escritores são crias desse espaço virtual que, algumas vezes, serve de vitrine para as editoras. O Orkut acaba servindo como um espaço de divulgação de trabalhos e troca de experiências literárias.

Se fizermos uma busca sobre “literatura” no site de relacionamentos, encontraremos mais de mil comunidades em língua portuguesa. Há algumas sobre gêneros literários, outras sobre um escritor preferido e até aquelas para quem não gosta de literatura. Há espaços que reúnem mais de 50 mil pessoas. Entre tantas, destacam-se as mais interessantes e criativas.

O escritor Giovani, por exemplo, mora em Brasília e se corresponde com escritores do mundo inteiro pela Internet. Em 2005, ele criou uma comunidade no Orkut chamada Bar do Escritor para reunir interessados na área de literatura. A experiência reuniu tanta gente que ele resolveu criar o e-zine Bar do Escritor.

“A Internet acabou com as convenções controladas por editoras. Na rede, faz quem quiser, do jeito que desejar e o leitor o aprova ou não, sem interferência ou censura de editores ou publishers. Sem falar no diálogo com o leitor, há um retorno do trabalho. A Internet é o canal para a nova literatura”, afirma Giovani Iemini.

O escritor Angelo Pessoa não chegou a criar comunidade, era apenas membro. Mas sua participação no fórum do espaço Concursos Literários era tão ativa que o dono resolveu ”doá-la”. E ele, por sua vez, pretende passar o espaço para a escritora Thaty Marcondes, para ter tempo de tocar seus projetos literários. Embora Angelo faça parte do universo virtual, ele acredita que a Web afasta as pessoas da leitura.

“A literatura em si não necessita da Internet. Ela é autossuficiente. Sempre esteve na vida das pessoas antes mesmo desta grande rede. Acredito que a Internet, assim como a TV, cinema, e outras mídias afastaram as pessoas de uma boa leitura; de um bom momento de lazer ao lado de um bom livro. Nada substituirá o prazer de folhear um livro. Quando encontro algum texto bom, imprimo e vou para um lugar tranquilo degustá-lo. Ler no monitor é insuportável”, diz Angelo.

Para Henrique Amitay, criador da comunidade O que você está lendo? (Juvenil), a Internet é muito importante no incentivo à leitura.

“A Internet tem um grande papel na literatura, desde informar sobre lançamentos de livros até o incentivo à leitura. No Orkut, por exemplo, certas pessoas olham comunidades sobre leitura com um grande numero de pessoas e começam a ler, geram gosto por isso”, defende Henrique Amitay.

A consagrada escritora Leila Míccollis criou uma comunidade para o portal Blocos On Line, no Orkut para divulgar o espaço – um portal voltado não só para a literatura, mas também preocupado com a historiografia e a preservação da memória literária.

“Quanto mais pessoas se interessarem por literatura, mais ela se enraíza no planeta, desenvolvendo a criatividade humana e a dimensão crítica. Inclusive, incluí no portal uma pesquisa registrada com o título: “Poetas brasileiros: quantos somos?”, listando o maior número de poetas nacionais de que tenho conhecimento. Ainda não disponibilizei nem 2/3 dos nomes e já estou chegando a 10 mil”, explica Leila.

Diante de tanto apelo áudio-visual, as pessoas ainda estão interessadas na palavra?

“Espero que sim, porque sem ela voltaremos a nos comunicar grunhindo, como nos tempos das cavernas…”, brinca Leila Micollis.

CONFIRA ALGUMAS COMUNIDADES DE LITERATURA NO ORKUT:

Amo Ler – Devoradores de Livros – Orkutural

Nova Literatura Brasileira – Leitor(IN)Culto

Discutindo Literatura – Casa do Escritor

Literatura na Internet – Clube dos Escritores Anônimos

Jovens Escritores do Brasil – Quero Escrever um Livro

Clube do Livrinho – Minha Paixão por Livros

Livros para Donwload – Biblioteca Digital do Orkut

Toca das Corujas E-Books – Máfia dos Livros

Sebos e Livros Raros – Livros por Toda a Casa

Devolva meu livro, por favor – Quero Publicar Livros

Diga Não aos Livros Caros – Leio Antes de Dormir

Leio 2 Livros ao Mesmo Tempo – Cheiradores de Livros

Mercado Editorial – Resumos de Livros – Livros em MP3

Literatura Clandestina – Livros Digitalizados

Filmes de Literatura – Literatura e Cartas

Academia de Literatura Oral – Orifício = Literatura Adulta

Cota Editorial – Li Até a Vigésima Página

Movimento Inversos – Árvore de Letras

Profissionalização do Escritor – Escritores Amadores

Sarau Literário – Livro, Árvore e Filho

Escritores Compulsivos – Livros para ler com um mão só

Escritores da Web – Sociedade dos Escritores do Orkut

Livros Demais, Tempo de Menos – Portal Literal

Sai do Orkut e Vai Ler um Livro – Prosas Cariocas

Cronópios – Bagatelas

Zunái – Famigerado

Blonicas – Paralelos;

Academia Orkutiana de Letras – Quer romance? compre um livro!

O que você está lendo? – Click(IN)VERSOS

FOTONOVELAS NA ERA DA WEB

Por Ramon Mello [Blog Click(IN)Versos – 2007]

Quem imaginaria que as fotonovelas poderiam voltar com toda força? Pois é, na era da Internet, o gênero literário tem se aproveitado do dinamismo das tecnologias para crescer cada vez mais. Mesmo assim, há muita gente que nunca deve ter visto uma. Você sabe o que é uma fotonovela?

Considerada por muitos como gênero menor da literatura, a fotonovela é uma narrativa que conjuga texto verbal e fotografia. A história é narrada numa sequência de quadradinhos, que, em vez de desenhos, utiliza fotografias acompanhadas por uma mensagem textual.

Motivada pela popularização do cinema e a fama dos atores, a fotonovela teve início na década de 40, na Itália. Em meados dos anos 60, chegou ao Brasil, mas foi nos anos 70, quando a televisão ainda era um luxo de poucos, que ela se popularizou – foi o divertimento de adolescentes e adultos, principalmente do sexo feminino.

Revistas traziam fotos com famosos, como Tony Ramos, Antonio Fagundes, Regina Duarte e o cantor Roberto Carlos, que participou de uma fotonovela, que foi publicada na revista Melodias – A Revista da Mocidade, especializada em fotonovelas e fofocas de artistas.

O sucesso era tanto que a novela Sem Lenço Nem Documento, de 1977, utilizou a fotonovela em sua abertura.

O CrepúsculoO CREPÚSCULO

Publicada originalmente em revistas, livretos e pequenos trechos de jornais, as fotonovelas começaram a invadir a Internet. O fato de, agora, ser vista em tempo real, em diversas partes do mundo, com um custo relativamente baixo, tem feito sucesso entre os internautas.

O site O Crepúsculo, criado em abril de 2006 pelo designer e escritor curitibano Fabiano Vianna, é uma referência do gênero na Web. Junto com uma equipe de fotógrafos e atores, desenvolve histórias em flashes, dispondo de efeitos de som e música e disponibilizando os capítulos, de graça, para quem quiser assistir.

“Eu sempre escrevi histórias e desenhei, mas tenho diversas incertezas quanto aos meus desenhos, nunca estou satisfeito com eles. Minhas histórias, sempre com um teor mais violento e trágico, não combinavam com o estilo das ilustrações. Resolvi fotografar amigos, encenando-os. Percebemos que as fotos, por si, formaram uma história, tal qual uma fotonovela. Foi assim que começou. Depois foi transformar as imagens em animação. Assim, estou conseguindo separar o Fabiano ilustrador e designer do Fabiano Vianna escritor”, relembra o artista, que dá aulas de animação vetorial e ilustração na Unicenp, onde é conhecido como ”Fabz”.

As histórias do Fabiano passeiam por influências do cinema, da música, dos quadrinhos e da literatura, como: Robert Rodriguez, Kerry Corran, Michel Gondry, estética dos anos 60 e 70, Pop-Art, Op Art, design sessentista, Cultura Mod e Jovem Guarda, Fasto Fawcet, Nelson Rodrigues, Ítalo Calvino, Woddy Allen, Borges, Dalton Trevisan e Valêncio Xavier – os dois últimos são os famosos escritores, conhecidos respectivamente como “o Vampiro e o Frankestein de Curitiba”.

As cenas são fotografadas em estúdio e depois os cenários são inseridos no computador, mas não é raro apartamentos de amigos e cafés de Curitiba servirem de cenário para as histórias. Alguns atores são profissionais e outros são pessoas encontradas na Internet. Tudo depende da necessidade da história. O diferencial do trabalho, em grande parte, fica a cargo dos diferentes fotógrafos que dão um olhar peculiar a cada fotonovela produzida.

“Por mais que as fotos passem por um tratamento, eu acredito que cada fotógrafo tem um estilo próprio de ver as cenas. Isso eu acho bacana. E quanto aos atores, procuro pessoas que tenham a ver com os personagens da história. O Orkut ajuda muito neste aspecto. Uso a rede de relacionamentos como ferramenta de trabalho”, explica Fabiano, que tem perfil no Orkut e vídeos espalhados pelo YouTube.

A Internet é uma grande aliada das fotonovelas, mas para o site O Crepúsculo ela tem sido uma grande amiga. Embora Fabiano tenha vontade de sair de Curitiba a fim de buscar uma vida cultural mais vigorosa para realizar seus projetos, pessoas de diversos lugares já conhecem seu trabalho por conta da Internet. Este ano, Fabz conheceu a escritora Ana Paula Maia e acabou fazendo o trailer de seu livro – Guerra dos Bastardos (Editora Língua Geral) –, que foi parar nos cinemas do Rio e São Paulo. E o conteúdo do site foi selecionado para participar do Blooks, que está acontecendo este mês de setembro, no Rio de Janeiro.

“Tenho vontade, sim. Curitiba é uma cidade ideal para advogados e médicos. Cidade modelo, onde tudo funciona. Limpa, organizada, poucas favelas. A maioria acaba indo ou para São Paulo ou Rio. É triste, mas me inspira. Resolvi agregar isso aos meus textos, e às fotonovelas. Acho que ainda não consegui plenamente, mas é um de meus objetivos. Preciso reverter esta angústia em criação. Deve haver algum jeito!“, explica.

Ou seja, está enjoado das mesmices das novelas da TV? A Web está oferecendo uma boa alternativa!

>>> Conheça outros espaços que produzem fotonovelas na web:

Seven Movies

Conto Noturno

Movimento inVerso

CENTENÁRIO DE ELIZABETH BISHOP

Efeméride da poeta americana é comemorada com livros fora de catálogo no Brasil

Por Ramon Mello [Blog Letras SaraivaConteúdo – 2011]

Efemérides têm uma função especial, mais do que a lembrança de nascimento ou morte, chamam atenção para a obra de artistas e escritores. Num país em que a memória não é devidamente valorizada, digamos que essas comemorações são fundamentais.

Há cem anos, em Worcester, Massachusetts, começou a vida uma forte mulher, que seguiu repleta de poesia e amores intensos. No dia 08 de fevereiro deste ano comemorou-se o centenário de nascimento da poeta Elizabeth Bishop, que morou mais de duas décadas no Brasil ao lado da companheira carioca Lota Macedo Soares.

Ganhadora de vários prêmios da literatura americana, incluindo o Pulitzer em 1956, Bishop chega em 2011 com a versão brasileira de sua obra fora do catálogo, sem previsão para reedição. Os livros são encontrados, com muito custo, em sebos. O descaso com a poeta canadense-americana, infelizmente, não é um caso isolado. A poeta brasileira Adalgisa Nery, por exemplo, sofre do mesmo mal, após 30 anos de falecimento, todos os seus livros estão fora de catálogo.

Apesar do desprezo dos editores brasileiros com a poesia, as comemorações do centenário de Bishop se estendem em outros países. Nos Estados Unidos, acabam de sair três novos títulos, entre antologias de prosa, de poesia e a correspondência da escritora com a revista New Yorker. O Brasil fará sua homenagem através do cinema: o cineasta Bruno Barreto filmará um longa-metragem sobre a poeta.

Intitulado, provisoriamente, de A arte de perder – uma referência ao clássico poema “One Art”, conhecido no Brasil em tradução do poeta e professor Paulo Henriques Britto – o filme tem o roteiro assinado por Carolina Kotscho. A história enfocará o romance que Bishop manteve com Lota de Macedo Soares, arquiteta responsável pela concepção e construção do Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro. Na produção de Bruno Barreto, Jodie Foster é o nome mais indicado para interpretar Elizabeth Bishop e o papel de Lota será da atriz Glória Pires.

A paixão entre Bishop e Lota é relatada na bela biografia Flores raras e banalíssimas, de autoria de Carmen L. Oliveira. Lota Macedo Soares era de uma família da elite carioca, que por problemas familiares resolveu morar sozinha aos 25 anos – um escândalo na alta sociedade da época. Em Petrópolis, onde construíram uma casa, Bishop e Lota eram mencionadas como “aquelas mulheres”.  O romance entre elas é um dos primeiros registros públicos do amor lésbico por aqui.

Outra possível homenagem é a peça teatral Um Porto Para Elizabeth Bishop, de Marta Góes, belo monólogo de Regina Braga, estreado em 2001, que deve voltar à cena ainda este ano. Torço para que a reestreia se concretize. Assim como fico na expectativa da editora Companhia das Letras republicar os livros de uma das poetas mais representativas do século XX.

ENTER, O LANÇAMENTO

O lançamento de ENTER – Antologia Digital, organizado pela professora Heloisa Buarque de Hollanda, lotou o Cinemathèque Jam Club.

Por Ramon Mello [Blog Letras SaraivaConteúdo – 2009]

Um telão foi montado na entrada do espaço, para projeção online do ENTER que abriga a produção de 37 escritores contemporâneos. Ainda assim, as perguntas mais frequentes durante o evento foram: Onde compro o livro? Quanto custa a antologia? Cadê a mesa com os exemplares?

A escritora e DJ Cecilia Giannetti animou a festa com um playlist eclético, de Beat Box a Michael Jackson, só desgrudou da mesa de som para participar da foto com Heloisa e outros autores da antologia, entre eles Maria Rezende,Ismar Tirelli NetoSimone CamposDomingos Guimaraens,Mariano MarovattoDiana de Hollanda e Carol Bensimon.

Durante a noite, os outros selecionados da antologia passaram pela festinha: Michel Melamed,Augusto Guimaraens CavalcantiJoão Paulo CuencaAna Paula MaiaFabiano Vianna e Lirinha, acompanhado da esposa, a atriz Leandra Leal.

Nega Gizza ligou: perdeu o vôo em Brasília. Marília Garcia mandou um abraço da França. Alice Sant’Anna  também está fora do país, foi representada por sua mãe, a editora de moda Zizi Ribeiro. E a cordelista Lourdes Alves mandou um beijo do Recife.

Outros escritores prestigiaram o lançamento, como Leandro JardimManoela Schawinski Jô Bilac Rodrigo Bittencourt e Paulo Scott. E  os editores Eduardo Coelho e Carolina Casarin daLíngua Geral; Elisa Ventura da Aeroplano; Sergio França e Ana Paula Costa da Record; Bruno Dorigatti e Marcio Debellian do portal SaraivaConteúdo também conferiram a estréia do site.

Além da presença da Secretaria Estadual de Cultura Adriana Rattes; do Secretario Municipal de Cultura de Araruama, Ricardo Adriano; gerente de patrocínio da Petrobrás, Giuseppe Zani; e da crítica literária Beatriz Resende.

A bebedeira continuou nos botecos da Voluntários da Pátria, mas essa parte não posso contar aqui…

(momento colunismo social encerrado)

A propósito, a organização da festa foi coordenada pela produtora Valeska Zamboni. E o layout de ENTER foi concebido Samara Tanaka, design responsável pela identidade visual do projeto.

> Leia o artigo do escritor Alexandre Inagaki sobre ENTER – Antologia Digital, no blog   Pensar Enlouquece, pense nisso.

> Leia a análise do editor Eduardo Coelho sobre ENTER – Antologia Digital, no blog Autores e Livros.

> Leia a matéria do jornalista Miguel Conde sobre Heloisa Buarque de Hollanda, publicada noSegundo Caderno, O GLOBO.

> Leia matéria do jornalista Luis Felipe Reis sobre ENTER – Antologia Digital, publicada noCaderno B, Jornal do Brasil.

Veja mais fotos exclusivas o lançamento:

FLIP 2010

Oitava edição Festa Literária Internacional de Paraty inicia nesta quarta-feira, dia 04 de agosto

Por Ramon Mello [Blog Letras SaraivaConteúdo – 2010]

Festa Literária Internacional de Paraty 2010inicia nesta quarta-feira, dia 4 de agosto, reunindo escritores e leitores no balneário fluminense. Mesmo diante das baixas na programação (estrangeiros como Antonio Tabucchi Lou Reed cancelaram a vinda) e das críticas devido à repetição de autores brasileiros e à ausência de ficcionistas nos debates (apenas dez os escritores e poetas nacionais nas mesas da Tenda dos Autores), a FLIP 2010promete não decepcionar os interessados em literatura.

Até o próximo domingo, 8 de agosto, nomes de peso da literatura nacional e internacional vão desfilar pelas calçadas de pedra de Paraty, entre eles Salman RushdieIsabel Allende e Ferreira Gullar, além do quadrinista Robert Crumb, um dos principais nomes da atualidade, que lançou no ano passado a sua versão do Gênesis (Conrad). O sociólogo, antropólogo, escritor e pintorGilberto Freyre é o autor homenageado desta edição e tema de debates, como a palestra de abertura de Fernando Henrique Cardoso, com comentários do historiador Luiz Felipe de Alencastro. Um livro inédito do autor, a partir dos diários da adolescência, acaba de ser publicado: De menino a homem (Global), foi editado a partir do manuscrito guardado na Fundação Gilberto Freyre, em Recife.

Casa da Cultura de Paraty também abrigará atrações relacionadas ao sociólogo pernambucano, como uma exposição com caricaturas feitas por Freyre e debates com escritores e cineastas e exibições de filmes. Apesar de ser um clássico, Gilberto Freyre é considerado por muitos intelectuais como reacionário, conservador. O que poderá render uma longa a discussão sobre o seu legado.

Entre os autores brasileiros, com participação confirmada na FLIP 2010, destacam-se Ronaldo Correia de Brito,Beatriz Bracher e Carola Saavedra – entrevistados pelo SaraivaConteúdo. Na programação de atrações internacionais, as mesas da escritora Isabel Allende, autora do best-seller A casa dos espíritos (Bertrand Brasil), de Salman Rushdie, que lança Luka e fogo da vida(Companhia das Letras), e dos quadrinistas Robert Crumb e Gilbert Shelton são as mais concorridas.

Ferreira GullarSaraivaConteúdo

No sábado, dia 7, na Casa de Cultura, o siteSaraivaConteúdo também comemora um ano de atividades na 8° edição da Flip com a exposiçãoSobre Ensaios da Literatura Brasileira, do fotógrafo Tomás Rangel. A mostra reúne 15 retratos de grandes escritores contemporâneos como Chico BuarqueLuiz RuffatoArmando Freitas FilhoRodrigo de Souza LeãoEucanaã FerrazFábio Moon e Gabriel BáHeloísa Buarque de HollandaLya LuftFerreira GullarJoão Gilberto NollLourenço MutarelliBernardo CarvalhoMilton HatoumAndré Dahmer e Zuenir Ventura. A Saraiva prepara uma festa, ao som do DJ e escritor Dodô Azevedo, para lançar a edição especial da Revista SaraivaConteúdo, que traz um perfil do poeta Ferreira Gullar, vencedor do Prêmio Camões 2010, o mais importante da língua portuguesa, que completa 80 anos em setembro e lança livro com poemas inéditos, Em alguma parte alguma (José Olympio)

OFF-FLIP

Em paralelo a programação oficial da Festa, a OFF FLIP tem se destacado, desde 2005, como espaço de visibilidade e referência para a produção cultural local e nacional. Com o apoio da comunidade, o evento contempla uma programação literária durante a Festa Literária Internacional de Paraty. Como parte da programação, há também o Prêmio OFF FLIP de Literatura que contempla autores nas áreas de conto e poesia. Os poetas Suzana Mafra (SC), Ricardo Thomé (RJ) e Gisela Sigaud Furquim Andaló (SP) e os contistas Caio Yurgel (RS), Nuno Sobral (Portugal) e Dailza Ribeiro da Cruz Leite (RJ) são os vencedores da 5ª edição.

No sábado, dia 7, haverá sarau Picareta Cultural, que reúne autores como ChacalMano Melo,Caio Carmacho entre outros convidados. A Off Flip apresenta ainda, além de lançamentos de livros, show de Arnaldo Brandão, com a participação do poeta Tavinho Paes e do compositor e escritor Fausto Fawcett.

Em quatro anos, o número de turistas em Paraty durante a Flip passou de 12 mil para aproximadamente 20 mil, em 2009. A tendência a aumentar o público em 2010.

A equipe do  SaraivaConteúdo acompanha os quatro dias de festa fazendo a cobertura dos principais encontros, além de realizar entrevistas exclusivas em vídeo com os autores da programação. Até lá!