ADRIANA LISBOA

SIMPLICIDADE E DISCIPLINA

Por Ramon Mello (SaraivaConteúdo – 2009)

Adriana Lisboa / Foto de Tomás Rangel“Pensar em ser escritora era como pensar em ser astronauta, uma coisa assim, um pouco fora da realidade. Eu não sabia que era uma profissão viável, possível. Fui fazer uma outra coisa também não muito viável, que é trabalhar com música. Eu acabei fazendo faculdade de música, me graduei em flauta.” Assim pensava Adriana Lisboa antes de se dedicar integralmente ao ofício da escrita.

Hoje escritora, Adriana Lisboa acaba de lançar o segundo livro infantil: A sereia e o caçador de borboletas (Rocco) — o primeiro livro chama-se Língua de trapos (2005). A experiência de 10 anos de carreira soma títulos conhecidos, como Fios da memória (1999), Sinfonia em branco (2001), ganhador do Prêmio José Saramago, Um beijo de colombina (2003), Caligrafias (2004), O coração às vezes pára de bater (2005) e Rakushisha (2006).

Adriana ainda prepara a publicação do novo romance, Como escrever uma história de amor em Paris, escrito na França para o projeto Amores Expressos. No entanto, o livro sairá pela editora Rocco, sem o selo da coleção. A romancista brasileira, atualmente radicada nos EUA, já morou no Rio de Janeiro, Petrópolis, Brasília, França e Japão. Tantas mudanças ensinaram a lidar com a vida de uma forma mais tranquila, encarando melhor as perdas (e os ganhos).

A escritora tem livros publicados na Itália, França, Portugal, Suécia, e é uma das poucas brasileiras traduzidas nos EUA. Qual a sensação de ser publicada em outros países? “Sem querer ser demagógica nem nada, acho legal saber que têm países se interessando pela literatura brasileira, em primeiro lugar. E para mim, é óbvio, tem uma satisfação em ver os livros por aí a fora.”

A relação com a escrita é construída diariamente, com disciplina, onde o que importa é o trabalho, as histórias, os livros: “Eu procuro, já percebi que um pouco demais, quebrar essa visão mitificada do escritor. Acho que aquilo que a gente faz… O que fazemos é um trabalho importante no mundo como qualquer outro. Por acaso a gente escreve. Poderia estar aí sendo mergulhadora, astronauta, musicista, ou, seja lá o que for. São trabalhos viáveis, possíveis, eu sei disso. Para mim é uma coisa simples, ser escritora porque eu gosto em primeiro lugar. É um cotidiano muito simples.”

Você está com 10 anos de carreira e tem quatro romances publicados, um livro de contos, dois livros infantis — o segundo, A sereia e o caçador de borboletas (Rocco), acaba de sair pela editora Rocco. Há diferença ao escrever em diferentes gêneros?

Adriana Lisboa – Não vejo muita distinção entre gêneros, não. Nem em termos de faixa etária, escrever para adulto ou para criança, quanto ao formato: crônica, conto, romance. É claro que cada um tem sua linguagem específica, obviamente você não pode escrever para criança do mesmo modo que escreveria para um adulto. Mas o que a gente não pode perder de vista que é tudo literatura. E que existe um certo compromisso com a qualidade do ficcional, com seu envolvimento com o ficcional, seja qual for o formato, seja qual for a faixa etária para a qual você está querendo se dirigir. Isso é algo que, para mim, cimenta essas coisas todas juntas. E me dá uma certa desenvoltura, pelo menos no meu desejo – o resultado é uma outra coisa –, no meu impulso de transitar pelos formatos diferentes.

Você é formada em música e literatura. Como foi essa transição para as letras?

AL – Eu nunca fui para a literatura porque nunca saí dela, na verdade (risos). Eu tenho uma ligação muito antiga com a literatura.

Você começou a escrever aos nove anos…

AL – Muito nova. Quando eu aprendi a escrever, eu comecei a escrever. Tive um espaço na escola, de professores incentivando que a gente lesse poesia, escrevesse poesia, faziam concursos. Então sempre foi uma coisa que sempre curti fazer e fazia informalmente.

Existia o desejo de ser escritora?

AL – Existia. Mas era como se eu não levasse aquilo a sério. Pensar em ser escritora era como pensar em ser astronauta, uma coisa assim, um pouco fora da realidade. Eu não sabia que era uma profissão viável, possível. Fui fazer uma outra coisa também não muito viável, que é trabalhar com música. Eu acabei fazendo faculdade de música, me graduei em flauta. Trabalhei como flautista, como professora de música, durante um tempo, mas a música tem muito de sacerdócio, tem que ter uma dedicação ao instrumento.

E a literatura, não?

AL – Mas a música, ainda mais quando você opta por se dedicar a um instrumento, se você não tiver uma relação diária — quase como de atleta, atleta treinando — com a manutenção do seu domínio, daquele instrumento, a qualidade decai muito. Então chegou um momento que eu tinha que dedicar muito tempo da minha vida para a música e sobrava pouco tempo para fazer aquilo de que eu realmente gostava: escrever nas horas vagas. Eu tinha muito poucas horas vagas, a verdade é essa. Eu decidi tentar escrever um primeiro romance. Primeiro, se dava conta de escrever, eu nunca tinha tentado, ver se conseguia publicar… E, conseguindo, se eu poderia inaugurar uma carreira de escritora. Mas, para isso, para fazer daquilo que me dava prazer a atividade central da minha vida. Nada mais do que isso.

Em geral, as pessoas mitificam muito a figura do escritor. Como é o seu dia a dia como escritora?

AL – Eu procuro, já percebi que um pouco demais, quebrar essa visão mitificada do escritor. Acho que aquilo que a gente faz… O que fazemos é um trabalho importante no mundo como qualquer outro trabalho importante no mundo. Por acaso, a gente escreve. Poderia estar aí sendo mergulhadora, astronauta, musicista, ou, seja lá o que for. São trabalhos viáveis, possíveis, eu sei disso. E que essa coisa, essa aura em torno da atividade do escritor ou do artista, de um modo geral, é algo que a gente precisa colaborar para diminuir um pouco. Porque isso gera egos inflados demais. Na verdade, o que é importante não somos nós, é o nosso trabalho, aquilo que a gente faz, são os nossos livros — são muito mais importantes do que nós, escritores, artistas, sei lá. Para mim é uma coisa simples ser escritora, porque eu gosto, em primeiro lugar. É um cotidiano muito simples, não preciso beber, não preciso me drogar, não preciso fazer nada. É uma atividade que eu faço. Eu sou mãe, entende? Moro num país que não tenho ninguém para ajudar, eu faço absolutamente tudo: sou mãe, faxineira, cozinheira, todas as coisas que são necessárias de ser dentro de casa, e escrevo também. Nos momentos em que eu escrevo, é claro, são momentos de profunda introspecção, de profunda solidão, silêncio… Uma viagem para dentro de mim mesma, para dentro dos meus pensamentos e tudo mais. Mas também uma forma de contato muito intensa com o mundo.

Você já morou no Rio de Janeiro, Petrópolis, Brasília, França, Japão e, agora, EUA. Por que tantas mudanças?

AL – Eu gosto de estar fora. Eu gosto de me mudar, em primeiro lugar. Eu curto bastante essa ideia de mobilidade. Acho que, cada vez que eu me mudo, eu faço uma reavaliação daquilo que materialmente é essencial para mim. Essa reavaliação é sempre muito boa porque sempre percebo que preciso de menos coisas que eu achava que precisava. E mudar de país tem um ganho a mais, a gente não pode levar tudo. Quando muda de uma cidade para outra dentro do país, você pega e reboca as coisas todas. Na minha mudança — me mudei para os EUA há quase três anos — eu levei muito pouco; dos meus livros eu levei 10%, se tanto. Nesses momentos você se pergunta: O que eu preciso? Se você tiver que escolher 15 livros da sua biblioteca, o que você vai levar? São exercícios interessantes. E uma coisa que acho bacana… Continuo escrevendo em português, continuo escrevendo sobre o Brasil, sobre minhas experiências aqui no Brasil. Mas acho legal o olhar de fora. Acho que quando você sai e volta, sai e volta, isso te permite um olhar um pouco distanciado. Às vezes, quando você está muito dentro, muito dentro, muito dentro, isso te obscurece um pouco.

Você é uma das poucas escritoras brasileiras traduzidas nos EUA. Como é a experiência de ser publicada fora do país?

AL – É uma relação que não é simples. Três por cento do que é publicado nos EUA é de literatura em tradução. Dentro desses três por cento não sei qual o percentual que é de literatura portuguesa ou literatura brasileira, mas imagino que não seja muito. O fato de eu estar lá foi fundamental para que essas traduções acontecessem. Mas mesmo assim é uma figura de desapego. Recentemente tem-se falado muito na figura do editor, não o cara que publica o livro, mas o que edita o livro e mexe no texto. Isso pela primeira vez aconteceu comigo, foi a primeira vez que pegaram o meu livro e falaram: “Isso sai, esse parágrafo pode sair, isso aqui fica melhor aqui, esse ponto vira vírgula, essa vírgula vira ponto…” Trabalho de edição mesmo, de mexer na estrutura do texto. Para mim foi uma coisa um pouco,…Não vou dizer dolorosa, eu me senti um pouco insegura,com isso.sem saber se estou traindo a mim mesma. Se um leitor bilíngue, por exemplo, pegar o Sinfonia em branco (Rocco), que está sendo traduzido, a versão original em português e pegar a tradução… A tradução tem cerca de 15% a menos de texto do que a versão original,para você ter uma ideia. Mas é um consenso. Isso precisa ser feito, inclusive pela natureza da língua portuguesa com relação à língua inglesa. O leitor americano, o que ele está a fim de ler, o que não está… Tem esse ajuste com o mercado. É a primeira vez que estou me deparando com essa história.

Como é a relação com o público estrangeiro?

AL – Essa relação, nos EUA especificamente, eu não tive ainda porque esse meu livro que está traduzido ainda nem está no mercado.

Mas você tem livros publicados em outros países.

AL – Sim. Eu já publiquei em Portugal, uma relação sensacional. Tenho uma relação muito boa com os leitores em Portugal. Publiquei recentemente, pela primeira vez, na França e fiquei surpresa com a receptividade. Teve uma acolhida do público, o livro em dois meses foi para a segunda edição. Foi um negócio muito surpreendente. Na Itália também, fui publicada na Suécia…

Qual a sensação de ser publicada em outros países?

AL – Sem querer ser demagógica nem nada, acho legal saber que têm países se interessando pela literatura brasileira em primeiro lugar. Acho isso bacana. O fato de um jornal como o Le Monde ou uma editora como Alfaguara México, por exemplo, estarem interessados por aquilo que se faz aqui no Brasil. E dispostos a ler em Língua Portuguesa, em traduzir a Língua Portuguesa. E para mim, é óbvio, tem uma satisfação em ver os livros por aí afora. Quase como ver um filho seu fazendo coisas por aí e você: “Poxa, que legal” (risos).

Você foi à França, através do projeto Amores Expressos, e escreveu um novo romance. E agora o seu livro está fora do projeto, será publicado por outra editora. Por quê?

AL – Acho que algumas coisas no projeto estão sendo revistas pelos próprios autores que participaram, a principal é a questão dos prazos. A verdade é que o prazo original, que os autores tinham para escrever seus romances, ninguém cumpriu. Sérgio Sant’Anna está aí ainda, falando que nem sabe se vai publicar o livro dele ou não. O que é uma pena porque eu adoraria ler. Mas o fato é que o meu livro foi escrito em, mais ou menos, seis meses. Foram seis meses durante os quais eu me dediquei exclusivamente ao projeto depois que voltei de Paris. A resposta da Companhia das Letras foi de que esse texto para ser publicado precisava ser modificado. Eu até fiz um texto no meu blog falando sobre isso, dizendo… Isso não me assusta, já recebi várias sugestões sobre os meus textos, com outras editoras, e sem problema nenhum. Com essa experiência de tradução nos EUA eu tenho menos pudor ainda de mexer naquilo que faço. Só que não podia ser feito naquele momento porque não era o meu momento, eu não estava a fim de pegar naquele texto de novo naquela hora. E uma resposta precisava ser dada. Então, diante dessa urgência, eu acabei — de comum acordo com todo mundo, com a Companhia (das Letras) e com o projeto — levando o meu texto para a editora Rocco, que assinou um contrato de publicação comigo. Quer dizer, quando sair, se sair, vai sair sem o selo da coleção, que era exclusivo da Companhia (das Letras).

O livro já tem nome, não é?

AL – O livro originalmente se chama Como escrever uma história de amor em Paris.

Como escrever uma história de amor em Paris?

AL – Porque…

Não. Como?

AL – (risos) Escrevendo.

É difícil escrever por encomenda?

AL – Não, eu não tenho problema em escrever por encomenda. Eu até gosto, acho que dá um norte, sabe? Às vezes, você fica um pouco por aí, perdido… Um dos meus livros de que mais gosto, o único livro meu que não saiu pela Rocco, é uma novelinha juvenil chamada O coração às vezes pára de bater, foi uma encomenda da Publifolha. O Arthur Nestrovski me chamou e falou: “A gente está fazendo uma coleção chamada Cidades Visíveis, são novelas para um público juvenil ambientadas em capitais do Brasil. Queríamos que você escrevesse alguma coisa sobre o Rio.” A única diretriz que eu tinha era essa, que fosse sobre o Rio e para um público juvenil, adolescente. Eu adorei fazer porque me dei a liberdade de escrever sobre um skatista, talvez eu nunca fosse me dar essa chance. Sou fascinada por skate, acho o máximo. Então, foi ótimo, entrei no ambiente dos skatistas e fiz uma novela que eu curto pra caramba. Está até sendo traduzida na Suíça e virou um curta-metragem. As encomendas têm isso, elas te levam. Às vezes, você está com o foco criativo numa coisa “x” e, de repente, elas te levam para outro ambiente, para uma outra ideia.

O livro infantil A sereia e o caçador de borboletas (Rocco, 2009) também foi uma encomenda?

AL – Não. Esse livro foi um projeto meu.

Por que escrever para crianças?

AL – Eu comecei a escrever para criança por uma razão um pouco óbvia: comecei a ler para meu filho quando ele era um pouco menor. Ele agora está com 11 anos, lê sozinho os calhamaços dele.

Seu filho lê seus livros?

AL – Acompanha. Mas ele tem um gosto próprio, o gosto dele, acho que é 99,9% do gosto das crianças da idade dele, que são as séries de livros de fantasia. É uma coisa que eu não faço. “Mas você devia fazer uma série, cinco, seis, sete volumes” “Poxa, Gabriel” (risos). Por enquanto, não me encomendaram. Quem sabe… (risos) Eu gosto de escrever para crianças um pouco menores. Os dois livros infantis que eu tenho são de uma faixa etária assim de sete a 10 anos, para crianças bem pequenas mesmo. Eu lia para ele quando era menor, tinha o hábito de ir com ele em livraria para escolher livro. A gente estava sempre com os livros ao redor. E você acaba se envolvendo de tal modo, que dá o pulo. E dá vontade de fazer também…

Em A sereia e o caçador de borboletas você continuou com a parceria com o ilustrador Rui de Oliveira, que trabalhou no primeiro livro infantil. Fale sobre o trabalho do Rui.

AL – Rui, seguramente, é um dos maiores ilustradores brasileiros vivos — se não for o maior. O Rui tem mais tempo de carreira do que eu tenho de vida, já ilustrou mais de cem livros. É uma fera, o cara é uma sumidade mesmo. Foi um grande privilégio ter ele me acompanhando no Língua de trapos (Rocco), primeiro infantil que publiquei em 2005. Foi muito bacana a editora ter concordado em convidar o Rui para fazer esse trabalho junto comigo. E, quando apresentei para a editora o segundo texto, eles disseram, quase que automaticamente: “Vamos chamar o Rui. Deu super certo no primeiro trabalho, vamos repetir a parceria.” O que é bacana do Rui, embora ele seja um artista com um traço bastante reconhecível, ao mesmo tempo ele se renova de livro para livro. Ele tem essa curiosidade criativa de fazer pesquisas para cada trabalho, faz uma pesquisa extensíssima, inclusive de linguagens. Meu primeiro trabalho infantil era poesia, então ele fez uma ilustração muito mais solta, grafismos, poucos elementos figurativos. Nesse caso que é uma historinha de começo, meio e fim, ele fez um trabalho bastante figurativo. É um artista gigante, o maior privilégio trabalhar com ele.

Você não tem vontade de escrever um livro de poemas?

AL – Eu escrevo muita poesia. Outro dia estava conversando com o Antonio Cicero, não consigo avaliar o que eu faço. Não consigo saber se a poesia que escrevo é boa ou ruim. Pode ser boa ou ruim, não consigo ter o menor discernimento. Ele respondeu: “Mas é assim mesmo. Eu também não consigo naquilo que faço. Acho que é normal para os poetas…” Isso foi uma coisa que me surpreendeu (risos). Um dos meus poetas preferidos, ainda por cima fazer essa confissão. Mas de todo modo, eu não sei, ainda não tive essa coragem. Recentemente, comecei a organizar um livro de poemas, até conversei com a Rocco sobre isso e eles falaram: “A gente publica e tal…” Mandei alguns, aí o livro devia ter uns 30 poemas. Cada vez que eu ia rever o livro eu tirava algum: 29, 28… Atualmente o livro deve ter uns cinco poemas mais ou menos (risos). É complicado para mim, largar, desapegar dos poemas (risos).

Novamente pergunto: O que você diria para um jovem que pretende ser escritor?

AL – Não estou querendo fugir da raia da pergunta, não. Me ocorreu uma resposta que o (José) Saramago deu quando foi a algum evento. Até hoje foi a melhor resposta a essa pergunta, espero não citar errado. Foi algo assim: “Não ter pressa, mas não perder tempo.” É importante não querer que o texto fique pronto antes da hora. É importante você respeitar, que o próprio texto vai dizer que está minimamente, suficientemente pronto. Porque pronto acho que não fica nunca, um percentual grande de possibilidade de estar pronto. Mas ao mesmo tempo não perder tempo. Na verdade, eu acho, quem escreve tem uma certa tendência ao diletantismo, eu sou assim pelo menos, se interessa por vários assuntos e acaba não escrevendo direito. Então, é importante se centrar no trabalho, saber o que quer fazer. Por exemplo, um defeito que encontro no meu primeiro romance: querer abordar todos os temas. A impressão que eu tenho… Tenho a impressão que eu que queria falar de tudo, como se nunca mais fosse ter a oportunidade de escrever. É uma bobagem. Porque, às vezes, com um pequeno tema, um pequeno assunto, você pode dizer muito. Pode dizer muita coisa interessante. Acho importante esse foco, esse direcionamento, mas também uma falta de pressa. Uma capacidade de deixar o livro se levar.

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